O novo acordo entre EUA e China
A China, sendo o principal importador de produtos agrícolas do mundo, reduziu significativamente suas aquisições dos EUA após a guerra comercial iniciada no ano passado entre as duas potências econômicas. Recentemente, após uma cúpula entre os líderes dos países em Pequim, foi anunciado que a China se comprometeu a realizar compras de pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos anualmente, exceto soja, por um período de três décadas. Isso marca uma tentativa de expandir as relações comerciais entre os dois países.
O impacto das compras agrícolas na economia global
O compromisso da China pode levar a um aumento significativo nas importações agrícolas dos EUA, alcançando entre US$ 28 bilhões e US$ 30 bilhões por ano. Embora esse número fique aquém do pico de US$ 38 bilhões registrado em 2022, representa um aumento considerável em comparação aos US$ 8 bilhões do ano anterior. O cumprimento dessa meta exigirá que Pequim aumente substancialmente as compras de trigo, milho, carne e outros produtos, como algodão.
Efeitos nas exportações de produtos agrícolas
A responsabilidade de cumprir esses acordos recai principalmente sobre os fornecedores dos EUA, que precisarão direcionar suas vendas para a China. O aumento das compras pode resultar em uma diminuição das exportações de outros países, como Brasil e Austrália, para o mercado chinês. Para que a China atinja a meta de US$ 17 bilhões sem contar a soja, pode ser necessário um deslocamento político nas escolhas de fornecedores.

Aumento nas compras de soja e milho
Com relação à soja, espera-se que a China inicie a aquisição da nova safra a partir de outubro, com a expectativa de que os preços estão competitivos em relação aos do Brasil. O compromisso inclui a compra de pelo menos 25 milhões de toneladas métricas de soja por ano. As empresas estatais, como a Cofco e a Sinograin, devem liderar essas compras.
Redirecionamento de fornecedores rivais
O aumento das importações de produtos agrícolas dos EUA provavelmente ocorrerá às custas dos fornecedores existentes, como o Brasil. Atualmente, o Brasil não só é o maior fornecedor de soja da China, mas também expandiu sua participação como fornecedor de milho. O Brasil teve autorização para exportar ingredientes de ração, que também se tornaram populares nas compras chinesas.
A situação da carne e produtos não alimentícios
A China também é um mercado importante para pescados, miúdos e pés de frango dos EUA, itens que têm baixa demanda no mercado interno americano. A expectativa é que, à medida que as importações de carne bovina e aves aumentem, a demanda por carne bovina de origem australiana diminua. Isso é especulado devido à introdução de um novo sistema de cotas de importação que foi implementado em dezembro, exigindo tarifas sobre compras acima da cota estabelecida.
Perspectivas para o comércio agrícola em 2026
O futuro das importações agrícolas da China dos EUA parece promissor, já que Pequim busca diversificar suas fontes de abastecimento e atender à demanda interna. Os analistas indicam que as compras de produtos alimentícios e não alimentícios devem crescer substancialmente. Essa mudança pode ser impulsionada pelas necessidades do mercado interno chinês e pelas flutuações das suas safras agrícolas.
Análise do mercado de trigo e sorgo
Os comerciantes no mercado de grãos acreditam que os produtos dos EUA, como milho e trigo, continuarão a ser adquiridos pelos importadores estatais chineses. A China possui quotas de importação para trigo e milho com tarifas de 1%, mas isto muda drasticamente para tarifas de até 65% para importações além dessa cota. Isso implica que as compras volume considerável dependem das tarifas e limitações vigentes.
Importância das relações comerciais entre EUA e China
As interações comerciais entre os EUA e a China são fundamentais para o comércio global. A relação entre os países tem efeitos cascata não apenas nas economias locais, mas também nas dinâmicas agrícolas e nos preços globais de commodities. Estabelecer um comércio agrícola mais forte poderia proporcionar maior estabilidade para ambos os países diante das incertezas econômicas.
Considerações políticas por trás das decisões comerciais
As compras agrícolas da China não são apenas uma questão de mercado. Por trás dessas decisões estão influências políticas que podem redirecionar a forma como os fornecedores são escolhidos. A lógica econômica muitas vezes é entrelaçada com a política, fazendo com que as decisões comerciais sejam tão influentes quanto estratégicas.

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