Análise do Caged em Fevereiro de 2026
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelou que, em fevereiro, o Brasil registrou uma criação de novas vagas de trabalho de forma mais lenta do que os níveis observados em 2024 e nos primeiros meses de 2025. Apesar disso, a confirmação geral é de que o mercado de trabalho permanece aquecido, apresentando um saldo positivo em todos os setores.
Conforme os números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no dia 31 de março, foram geradas 255,3 mil novas posições (com 2,3 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos), o que resulta em um aumento de 115 mil vagas em comparação a janeiro. Se considerarmos o mesmo mês do ano anterior, em fevereiro de 2025, a criação foi de 440 mil novas vagas, e no total dos últimos 12 meses, o saldo chega a um aumento de mais de 1,05 milhão de posições.
Setores que Mais Geraram Vagas de Trabalho
A análise dos dados indica que o setor de serviços foi o principal responsável pela geração de novas vagas, adicionando 177,9 mil postos. Dentro deste setor, a educação foi particularmente notável, com um acréscimo de 49 mil vagas, especialmente devido ao retorno às aulas. Além disso, as áreas relacionadas à informação, comunicação, e serviços financeiros, imobiliários e administrativos contribuíram com mais 48,1 mil postos.

O setor da construção civil seguiu com a criação de 31,1 mil vagas, enquanto a indústria acrescentou 32 mil novas oportunidades. Por outro lado, o comércio foi o que teve a menor contribuição, com apenas 6,1 mil novos postos de trabalho.
Comparação com Anos Anteriores
A comparação entre os dados atuais e os dos anos anteriores mostra um desaceleramento claro na criação de empregos. No início de 2025, o ritmo era consideravelmente superior, atingindo perto de 440 mil novas contratações em fevereiro daquele ano. Atualmente, embora a quantidade total de empregos ainda seja positiva, o crescimento rateado evidencia uma tendência de moderação.
Desempenho do Mercado de Trabalho Formal
Os economistas reconhecem a estabilidade do mercado, mas indicam que a desaceleração observada pode indicar um arrefecimento gradual nas dinâmicas de emprego. Leonardo Costa, economista do ASA, considera que os dados apontam para um mercado ainda aquecido, mas com um saldo de criação de vagas que não reflete a mesma intensidade observada em anos anteriores, prevendo um 2026 com uma desaceleração nas contratações.
Salários e Efeitos na Massa Salarial
Observou-se um recuo no salário médio dos admitidos, que caiu 2,3%, fixando-se em R$ 2.347 em comparação a janeiro. Entretanto, na comparação com fevereiro de 2025, houve um aumento de 2,75%. Isto indica que as novas contratações estão, muitas vezes, oferecendo salários mais baixos, principalmente para empregos que pagam até 1,5 salário-mínimo, enquanto setores que tradicionalmente pagam melhores salários estão enfrentando saldo negativo. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, explica que o crescimento no emprego formal não está sendo acompanhado de um aumento proporcional na massa salarial em termos marginais.
Rotatividade no Emprego: Uma Perspectiva Atual
A taxa de rotatividade no trabalho, de acordo com a análise da 4intelligence, apresenta uma leve queda, passando de 52,4% para 52,2% nos 12 meses anteriores. O tempo médio que os trabalhadores permaneceram em seus empregos antes da demissão também mostrou uma queda significativa, de 19,2 meses em fevereiro de 2025 para 18,6 meses em fevereiro agora. Essa redução na duração do emprego pode indicar que muitos trabalhadores estão optando por trocar de emprego por melhores condições, reforçando a ideia de um mercado atualmente mais dinâmico e competitivo.
Perspectivas Econômicas para 2026
O economista André Valério, do Inter, sinaliza que a previsão para a taxa de desocupação em 2026 é de 5,5%. Nos próximos meses, a 4intelligence também prevê a adição líquida de 1,2 milhão de postos de trabalho formal, alinhando-se às tendências de contínua desaceleração do mercado.
Desafios Enfrentados pelo Mercado de Trabalho
O cenário apresenta diversos desafios, especialmente em relação à precarização das novas vagas geradas, que, em muitos casos, estão vinculadas a menores remunerações. Com salários mais baixos predominando, os impactos na qualidade de vida da força de trabalho podem ser avassaladores a longo prazo, principalmente para as famílias que dependem dessas rendas. O aumento da rotatividade também sugere um mercado em constante mudança, onde a estabilidade pode ser uma preocupação para muitos trabalhadores.
Implicações para os Setores de Serviços e Comércio
A maior concentração de novas vagas no setor de serviços indica que esse segmento continuará sendo vital para a recuperação econômica e o emprego em geral. Contudo, a lenta geração de empregos no comércio, geralmente um motor econômico fundamental, levanta questões sobre a resiliência do setor, principalmente em tempos de inflação e de aumento dos custos de vida. A capacidade do comércio de absorver mais mão de obra vai depender de medidas que estimulem o consumo e garantam um ambiente econômico estável.
Como a Criação de Vagas Afeta a Economia
A criação de empregos tem um impacto significativo na economia. Quando novos postos são gerados, há uma dinâmica de incremento na renda das famílias, que, por sua vez, impulsiona o consumo e a demanda por bens e serviços. Assim, um aumento no emprego tende a circular riqueza e estimular investimentos. No entanto, a natureza das novas vagas, seus salários e as condições de trabalho influenciam diretamente esses efeitos. A presença de empregos de baixa remuneração e alta rotatividade pode limitar a capacidade de recuperação econômica e gerar incertezas em diversos setores, afetando a confiança de consumidores e investidores.

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