Vendas no comércio têm 9ª alta anual seguida em 2025, mas ficam abaixo de 2024

Cenário Atual do Varejo

O desempenho das vendas no setor varejista em 2025 revelou um panorama complexo da economia brasileira. Em um cenário onde setores sensíveis à renda, como alimentos e vestuário, mostraram crescimento, áreas dependentes de crédito sofreram impactos notáveis devido a uma política de juros mais restritiva, com a taxa básica permanecendo em 15% desde junho do ano anterior. Essa situação ilustrativa das correntes econômicas resultou em um aumento contínuo nas vendas, marcando o nono crescimento anual consecutivo, embora a taxa de crescimento de 1,6% tenha ficado abaixo dos 4,1% registrados em 2024, conforme os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgados pelo IBGE.

Relação entre Juros e Vendas

A realidade do comércio varejista é fortemente influenciada pela dinâmica das taxas de juros. A elevada taxa de 15% trouxe consequências diretas ao comportamento do consumidor, impactando a capacidade de compras das famílias, especialmente em itens que normalmente exigem financiamento, como veículos e eletrodomésticos. O crédito, que já se mostrava como um motor impulsionador para muitas vendas, tornou-se um fator limitador, levando a uma desaceleração em certas categorias de produtos. Assim, enquanto as vendas de bens duráveis enfrentaram dificuldades, segmentos que dependeram mais da renda, como o de alimentos, conseguiram manter-se competitivos.

Análise do Desempenho do Comércio

Os dados de dezembro de 2025 mostraram um fechamento desafiador para o varejo. As vendas caíram 0,4% em comparação a novembro, superando as expectativas do mercado, que previam uma queda menor de 0,2%. No comércio ampliado, que inclui setores como serviços e materiais de construção, a redução foi ainda mais significativa, com uma queda de 1,2%. Apesar disso, ao observar o desempenho anual, o varejo registrou um acumulado de 1,6%, evidenciando um contraste entre o fechamento negativo do último mês e a média positiva ao longo do ano, indicando um ambiente comercial ativo anteriormente.

vendas no comércio

Expectativas para Selic em 2026

As perspectivas para a taxa Selic em 2026 estão cada vez mais voltadas para possíveis cortes, conforme o comportamento dos indicadores econômicos e as pressões inflacionárias. Com a desaceleração do consumo e a queda nas vendas do varejo, economistas preveem que a demanda por um afrouxamento monetário será analisada pelo Banco Central, visando estimular a economia. A possibilidade de um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom em março é vista como uma reação às atuais circunstâncias de consumo contido e inflação em níveis mais baixos.

Impacto da Política Monetária

A política monetária atualmente em vigor vem trabalhando em um ambiente de juros mais altos, o que inevitavelmente trava o crescimento em diversas frentes. Economistas, como Rodolfo Margato da XP, ressaltam que a restauração no mercado de trabalho e os aumentos na renda real oferecem um certo alívio, mas as restrições de crédito desaconselham investimentos e compras maiores. As análises indicam que essa situação pode prolongar-se, causando um efeito prolongado no consumo e na confiança do consumidor.

Cenário de Crédito no Varejo

O mercado de crédito se encontra em um estado de estagnação, refletindo a hesitação dos consumidores em assumir novas dívidas. De acordo com os dados do Bradesco, enquanto o comércio ligado ao crédito caiu 0,8% em 2025, o varejo mais conectado à renda apresentou um avanço modesto de 0,5%. Este descompasso confirma a tese de que as pessoas estão cada vez mais cautelosas com suas finanças, buscando equilibrar orçamentos familiares ao invés de se aventurar em compras financiadas.

Setores em Crescimento e Queda

O relatório indica uma clara distinção entre os diversos setores dentro do comércio varejista. Os segmentos relacionados a alimentos, bens essenciais e itens de baixo custo mantiveram desempenho sólido, com vendas operando em alta. Por outro lado, setores que dependem de maior investimento, como carros e móveis, apresentaram quedas alarmantes, refletindo a dificuldade dos consumidores em comprometer renda em produtos que demandam parcelamentos longos. Mesmo dentro do varejo ampliado, dúvidas persistem quanto à continuidade desse crescimento, dada a relação direta com a política monetária.

O Papel da Renda no Consumo

O aumento da renda tem atuado como um dos principais motores da economia, permitindo que uma fração significativa da população brasileira mantenha ou até aumente seu consumo. No entanto, a incessante pressão do crédito caro contrabalança esse efeito positivo, levando muitos consumidores a reconsiderar suas prioridades financeiras. Os dados mostram que a classe média, tradicionalmente ativa nas compras, pode estar se adaptando a um novo normal, onde a cautela se torna a norma.

Perspectivas Econômicas para o PIB

O crescimento do PIB para 2025 é projetado em 2,3%, demonstrando um leve otimismo entre especialistas, embora com a necessidade de ajustes nas expectativas conforme a evolução da política monetária e do cenário global. Economias que historicamente crescem em ritmo acelerado podem estar em um ponto de inflexão, onde a necessidade de estabilidade se torna ainda mais evidente frente a incertezas. É clássico ver o ciclo econômico alternando entre expansão e contração, e o atual período de acomodação após uma fase de crescimento intensificado poderá ser prolongado.

Desafios para o Varejo em 2026

O ano de 2026 promete trazer novos desafios ao varejo, onde o corte nos juros será uma defesa importante para reverter a desaceleração do consumo. As expectativas de incentivo fiscal e o aumento no poder de compra poderão oferecer o suporte esperado, mas as repercussões de um ambiente de crédito restritivo continuarão preocupando varejistas. É necessário um monitoramento preciso das operações e adaptação a um cenário em constante mudança, buscando não apenas sobrevivência, mas prosperidade em um ecossistema econômico desafiador.