‘Haverá um impacto severo sobre a produtividade’: o alerta do CEO da Yara

O alerta do CEO da Yara sobre a produtividade

Recentemente, o CEO global da Yara, Svein Tore Holsether, expressou preocupações fundamentais sobre a produção agrícola mundial. Ele destacou que a situação atual da cadeia de suprimentos de fertilizantes está sob uma pressão intensa, principalmente devido a conflitos no Oriente Médio, aumento nos preços da energia e a pressão sobre as margens de lucro dos agricultores.

Conflitos e suas repercussões na agricultura

A guerra em curso no Irã, que começou em fevereiro, tem repercutido negativamente em diversos setores, especialmente na agricultura. A complexidade dessa guerra acarreta preços elevados para a energia, commodities e também afeta a logística. Holsether observa que esse cenário pode desestabilizar gravemente a cadeia de abastecimento de fertilizantes, essencial para garantir a produção de alimentos.

Cadeia de fertilizantes em crise

O CEO da Yara enfatiza que aproximadamente 50% da produção global de alimentos depende diretamente de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, um ponto estratégico, é vital para a exportação de ureia, com cerca de 30% de sua comercialização passando por essa região. Eventuais interrupções nesse canal podem levar a um impacto ainda maior na cadeia de fertilizantes, afetando toda a produção agrícola.

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Os riscos da guerra no Oriente Médio

Os preços da ureia dispararam de US$ 80 por tonelada em 2024 para cerca de US$ 1.200 por tonelada durante os momentos de pico da crise, resultando em um aumento impressionante de quase 1.400%. Apesar de uma recente queda para aproximadamente US$ 800, o custo permanece elevado. Esta elevação exerce uma pressão considerável sobre a cadeia de suprimentos de fertilizantes.

El Niño e os desafios para o agronegócio

A problemática se torna ainda mais crítica quando se considera o fenômeno climático El Niño, esperado para se manifestar em breve no Brasil. Holsether alerta que a combinação de condições climáticas adversas, junto a uma aplicação ineficiente de fertilizantes e um El Niño potencialmente mais forte, pode exacerbar significativamente a crise, culminando em uma oferta de alimentos prejudicada globalmente.

Impacto econômico da redução de fertilizantes

Com o aumento dos preços dos fertilizantes, muitos agricultores têm reduzido suas aplicações na tentativa de proteger suas margens de lucro, já que se aproximam de um dos maiores desafios financeiros da última década. Para a safra de 2026/27, espera-se que os produtores enfrentem margens extremamente baixas, particularmente na produção de soja, o que os força a tomar decisões difíceis.

Nutrientes e produtividade das lavouras

Holsether enfatiza que a aplicação adequada de nutrientes é vital para garantir a produtividade das lavouras. A ausência desses elementos pode resultar em uma diminuição na produção, refletindo na rentabilidade das propriedades rurais. Ele afirma que mesmo que os agricultores possam postergar a reposição de nutrientes, essa decisão terá consequências de longo prazo.

Medição do impacto no curto e longo prazo

Embora o impacto imediato da redução na aplicação de fertilizantes não seja sempre perceptível, é inegável que a diminuição da disponibilidade de nutrientes ao longo do tempo reduzirá os rendimentos. Estudos de longo prazo comprovam que essa realidade pode ser alarmante, e não apenas para o Brasil.

Estratégias para enfrentar a crise agrícola

Como resposta à crise, é crucial que os agricultores considerem alternativas que possam equilibrar suas necessidades financeiras e a rentabilidade a longo prazo. Tomar decisões ponderadas sobre o uso de fertilizantes e ser mais estratégico pode ser vital para garantir a continuidade da produção.

O futuro da produção de alimentos no Brasil

A dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados, que compõem cerca de 85% do total utilizado no país, destaca a necessidade de soluções inovadoras que não apenas promovam a sustentabilidade, mas que também garantam a eficiência nas técnicas de cultivo. O futuro da agricultura brasileira deverá incluir uma estratégia robusta que conecte a eficiência econômica com a preservação ambiental e a segurança alimentar.

Holsether conclui que a situação requer atenção urgente e que a colaboração entre os diversos integrantes da cadeia produtiva será fundamental para enfrentar os desafios impostos por essa nova realidade. Com a união de esforços, é possível mitigar os riscos e garantir que a produção de alimentos não seja comprometida de forma irreversível.