Jornada de trabalho, Código Civil e mais: as prioridades legislativas para a CNI

Visão Geral das Proposições em Tramitação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está atenta a, pelo menos, 135 proposições que estão atualmente em processamento no Congresso Nacional. Dentre essas, a CNI demonstra apoio a 81 delas, o que corresponde a 60%. No entanto, a entidade também apresenta divergências com relação a 54 propostas, somando 40% das medidas. O lançamento da 31ª edição da Agenda Legislativa da Indústria, programada para 24 de março de 2026, consolida essa informação. O documento foca em temas relevantes, como questões trabalhistas, tributárias, comércio exterior, infraestrutura e inovação.

O Papel da CNI na Agenda Legislativa

A CNI atua como um agente de monitoramento e posição em relação às propostas legislativas que impactam o setor industrial. O objetivo é assegurar que as decisões políticas promovam um ambiente favorável ao crescimento da indústria brasileira. A entidade não apenas aprova iniciativas que julga benéficas, mas também se opõe àquelas que podem prejudicar a competitividade do setor.

Divergências e Apoios da Indústria

Dos 135 projetos examinados, a CNI destaca 15 como prioritários. Eles são fundamentais para orientar ações legislativas que afetam a indústria. Abaixo, apresentamos uma tabela que mostra a posição da indústria em relação a esses projetos:

prioridades legislativas

  • Projeto: PEC 8/2025
    Tema: Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais
    Posição: Divergente
  • Projeto: PL 4007/2025
    Tema: Incentivos à empregabilidade e empreendedorismo
    Posição: Convergente
  • Projeto: PL 1363/2021
    Tema: Redução da jornada para 36 horas
    Posição: Divergente
  • Projeto: PL 2015/2019
    Tema: Desobrigação de contribuição adicional para aposentadoria especial
    Posição: Convergente com ressalva
  • Projeto: PL 6139/2023
    Tema: Crédito à exportação
    Posição: Convergente
  • Projeto: PDL 41/2026
    Tema: Acordo Mercosul-União Europeia
    Posição: Convergente
  • Projeto: PL 4423/2024
    Tema: Normas gerais sobre Comércio Exterior
    Posição: Convergente
  • Projeto: PL 4/2025
    Tema: Reforma do Código Civil
    Posição: Divergente
  • Projeto: PEC 42/2024
    Tema: Fiscalização das agências reguladoras
    Posição: Divergente
  • Projeto: PL 2373/2025
    Tema: Lei Geral de Concessões
    Posição: Convergente
  • Projeto: PL 10108/2018
    Tema: Regulamentação da atividade de reuso de água
    Posição: Convergente com ressalva
  • Projeto: PL 3375/2024
    Tema: Ampliação das penas para crimes contra marcas
    Posição: Convergente
  • Projeto: PL 1780/2022
    Tema: Regulação da relação contratual de distribuição
    Posição: Divergente com ressalva
  • Projeto: PL 4133/2023
    Tema: Política industrial e tecnológica
    Posição: Convergente com ressalva
  • Projeto: PL 2338/2023
    Tema: Normas de uso da Inteligência Artificial
    Posição: Convergente com ressalva

Análise da Redução da Jornada de Trabalho

Relativo à proposta de redução da jornada de trabalho, a CNI reforça que tal prática é viável através de acordos coletivos, conforme autorizado pela Constituição Federal. No entanto, a entidade critica um possível enquadramento legal, como sugerido pelo PL 67/2025, alegando que isso poderia questionar a constitucionalidade e desincentivar as negociações coletivas. A CNI argumenta que tais acordos são essenciais para equilibrar as necessidades dos colaboradores e empresas, uma vez que cada parte possui um entendimento mais claro sobre suas realidades.

Impactos da Reforma do Código Civil

A proposta de reformulação do Código Civil, que altera mais de 900 artigos, também é objeto de crítica por parte da CNI. As alterações nos capítulos que tratam das obrigações, contratos, responsabilidade civil e a introdução de um novo “Direito Civil Digital” são mudanças que podem impactar diretamente as transações econômicas. A reformulação que propõe a eliminação do conceito de culpa na responsabilidade civil pode resultar em indenizações desproporcionais e, consequentemente, gerar insegurança jurídica.

Temas Prioritários de 2026

Os tópicos que a CNI considerou prioritários para este ano são cruciais no contexto atual de mudanças no mercado e nas necessidades trabalha. Os destaques incluem a PEC da redução da jornada de trabalho, o marco regulatório da política industrial, e as atualizações relacionadas à Lei Geral de Concessões.

A Importância das Negociações Coletivas

A CNI defende que as negociações coletivas são o caminho mais adequado para garantir condições de trabalho justas, adaptadas às especificidades do setor e às realidades dos trabalhadores. Insiste que a legislação já permite negociações para ajustes nas jornadas de trabalho, respeitando os limites legais atuais, o que oferece uma flexibilidade necessária para o desenvolvimento do setor.

Desafios e Oportunidades para a Indústria

O presidente da CNI, Ricardo Alban, salienta a necessidade de iniciativas que possam fortalecer o ambiente de negócios no Brasil, especialmente em um momento de mudanças tecnológicas rápidas e reestruturação das cadeias logísticas globais. Essas condições exigem um planejamento estratégico que busque promover a competitividade industrial.

Expectativas para o Mercado de Trabalho

A indústria enfrenta atualmente um cenário desafiador, onde a defesa por melhores condições de trabalho e aumento da empregabilidade se tornam essenciais. O foco da CNI se volta também para a criação de empregos e a oferta de oportunidades para os trabalhadores, como fator que vai além da simples manutenção das atuais condições de trabalho.

Reflexões Sobre a Competitividade da Economia

A competitividade do Brasil no cenário econômico global é um aspecto que exige atenção redobrada. O papel da CNI como defensor das propostas que beneficiam o setor industrial é fundamental para garantir que os interesses desse segmento sejam considerados nas decisões políticas. A entidade visa assegurar que o Brasil permaneça competitivo no mercado internacional, buscando sempre a inovação e a sustentabilidade.