O
Sana dista de Nova Friburgo apenas 60 quilômetros
ou cerca de 90 minutos, e uma olhada carinhosa nos mapas
de rodovias do IBGE, o Sana está mais próximo
de Nova Friburgo que de Macaé, via serra-mar
e a sua pequena população atual, vivendo
ao redor da única rua que atravessa o casario
à beira do rio e percorrida principalmente por
montarias, luta para que seja preservada sua paz, características
culturais, tranquilidade e a Natureza, por isso aposta
no ecoturismo organizado e consciente, de forma que
possa produzir o desenvolvimento da região sem
prejudicar suas características originais. Tanto
quanto as matas, as cristalinas águas dos rios
cativam e atraem o visitante. Antes de atravessar a
vila do Sana, o rio Peito-de-Pombo forma cachoeiras,
entre elas o Escorrega, um verdadeiro tobogã
natural com uma piscina e pequena queda d'água
ao lado. Mais acima uma trilha pouco usada leva à
cachoeira Pai, também conhecida como dos Degraus
ou das Prateleiras. A simplicidade do arraial,
o verde da floresta, a pureza das águas e a deliciosa
comida preparada no fogão à lenha passam
por cima de todas as lembranças da cidade grande,
tão próxima e ao mesmo tempo tão
longe. O
Sana transmite uma sensação de paz e tranqüilidade
que raramente encontramos em outros lugares, nos levando
a deixar de lado o stress para aproveitar tudo o que
o lugar nos tem a oferecer - sua natureza que esconde
belezas exuberantes, como as cachoeiras de águas
cristalinas, os rios que serpenteiam pelo vale, os morros
verdinhos “enfeitados” pela Mata Atlântica,
o pequeno Arraial e o lado místico que envolve
a região e seus habitantes. É um local
que vale a pena ser conhecido e contemplado por aqueles
que adoram este contato com a natureza.
fonte:
José
Carlos F.Barboza-Muzy (enviado por e-mail)
Grupo
de Defesa Ecológica "Pequena Semente"
Na
tentativa de conter a degradação ambiental
no Sana, o pesquisador Márcio Nascimento da Silva
elaborou o projeto "Pequena Semente" que tinha
como principais objetivos o desenvolvimento de uma perspectiva
educativa para os acampamentos, bem como contribuir
para o desenvolvimento da consciência ecológica
na região. Entre os anos de 1993 e 1995, um grupo
de voluntários, liderados por Márcio,
atuou incansavelmente na conscientização
não só da comunidade mas principalmente
do turista que ali chegava. O projeto "Pequena
Semente", mesmo sem recursos, alcançou ótimos
resultados levando o grupo a decidir formar uma ONG.
O Grupo de Defesa Ecológica "Pequena Semente"
(GDEPS) foi criado em fevereiro de 1995 e, a partir
de alguns estudos preliminares elaborados pelo ainda
projeto "Pequena Semente", começaram
a traçar projetos específicos nas áreas
social e ambiental, buscando uma maior mobilização
comunitária. No começo houve conflitos
entre os que tinham uma visão preservacionista
e os donos de fazenda que viam o turismo como saída
para crise em suas produções agropecuárias.
Segundo Márcio: — "foi
difícil porque havia resistência, havia
conflito de culturas. Começamos a observar as
áreas de maior relevância e, em seguida,
atuamos com projetos específicos sempre visando
a geração de emprego e renda. Essas áreas
eram todas particulares, o que dificultava. Nós
tínhamos que convencer esses proprietários
a aceitar as ações preservacionistas.
Eles pensavam que a gente queria tomar conta de tudo...
e não era bem assim. Queríamos zelar pelo
que pertencia a eles para que as gerações
futuras pudessem conhecer essas belezas naturais..."
Aos
poucos os fazendeiros da região foram entendendo
o propósito dos projetos e foram aderindo de
maneira espontânea. Um dos projetos desenvolvidos
pelo GDEPS, em parceria com um fazendeiro da região,
foi o "Capitão Minhoca". Nesse projeto,
a ONG ficou responsável por transformar a Fazenda
Barra do Sana em uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio
Natural) e o proprietário, em contrapartida,
cedeu as instalações para que fosse desenvolvido
um horto-escola. Durante três anos, o GDEPS trabalhou
na capacitação de moradores da região,
ex-caçadores que derrubavam a floresta, transformando-os
em catadores de sementes. O objetivo do projeto é
recuperar áreas degradadas, além de formar
agentes de plantio e produtores de mudas. Com isso,
já foram recuperados mananciais e matas ciliares
do rio Sana e seus afluentes com o replantio de mais
de 300 mil árvores.
Outro
projeto de extrema importância para a comunidade
é o "Criança Semente", que busca
desenvolver oficinas de sensibilização
e educação ambiental para as crianças
do Sana. São oferecidas atividades sobre temas
diversos, que vão desde astronomia a papéis
reciclados. Todo o material confeccionado durante as
oficinas auxilia na propagação da educação
ambiental no Sana através de murais e painéis
fixados dentro dos "Estabelecimentos Verdes"
e nos caminhos de acesso público. No intuito
de arrecadar fundos para manter esses projetos foi criado
pelo GDEPS um selo de "Estabelecimentos Verdes".
Todos os estabelecimentos comerciais, pousadas, campings
e associações que participam dando algum
apoio aos projetos em andamento recebem esse selo e
são incluídos em um folder distribuído
aos turistas. Essa iniciativa não só garante
a continuidade das ações promovidas pela
ONG, mas também envolve toda a comunidade que
se beneficia diretamente da atividade turística
na preservação dos atrativos naturais
e no desenvolvimento social da região. Nesse
sentido, um dos projetos mais importantes mantidos pelo
GDEPS é o "Nossa Casa, Nossa Terra",
responsável pelo monitoramento das cachoeiras
(local de maior concentração de visitantes).
Nele, busca-se a interação direta com
o turista através da educação ambiental
praticada nos atrativos turísticos. Um grupo
selecionado dentro da comunidade foi treinado em primeiros
socorros, junto ao Corpo de Bombeiros e hoje é
responsável por passar informações
sobre o local, controlar o acesso às cachoeiras
fazendo cumprir algumas normas de conduta a serem observadas
durante a visitação, além de dar
segurança aos visitantes em caso de algum acidente.
Todo
esse trabalho começou em 1997 de forma voluntariada.
Não havia financiamento e todo o trabalho desenvolvido
pelo grupo dependia de doações. Hoje em
dia, com a implantação da APA do Sana,
o poder público vem se empenhando em patrocinar
mas não consegue fazê-lo de forma contínua.
No último verão, por exemplo, financiaram
o projeto entre os meses de novembro de 2002 e fevereiro
de 2003 e, sem qualquer explicação, suspenderam
os pagamentos nos meses de março, abril, maio,
junho e julho. Segundo Márcio, essa interrupção
"desmotiva, porque você faz todo um trabalho
de anos estruturando a corporação humana
para um objetivo específico e daqui a pouco não
tem a verba. As pessoas têm que pagar aluguel,
comer, sustentar a família".
Fonte:
Instituto
Virtual do Turismo