Distante
165 quilômetros do Rio de Janeiro, conhecer
o Arraial do Sana se justifica pelas belezas
naturais da região: os rios, as cachoeiras
e as montanhas que circundam a localidade.
O
Sana existe desde 1820, fundado por diversos
Suíços, de acordo com o livro
La Genèse de Nova Friburgo, La Colonisation
Suisse Au Brésil de Martin Nicoulin.
Em um de seus capítulos, L`Essor Vers
le Macaé, onde inclusive o Sana faria
parte da Villa de São Pedro, nome dado
em homenagem ao Imperador Pedro I, (primeira
Villa fundada no Brasil por não portugueses
que englobaria um raio em torno de diversos
lugares hoje municípios e distritos
- onde na página 224, a carta VI nos
dá uma direção quase
que perfeita dos dados).
As
terras do Sana foram doadas em sesmarias para
os diversos suíços que para
lá se deslocaram em 1820 como os De
Schueller (dono de umas das maiores fazendas
de café do Brasil Império);
Sardenberg, quase que certeza nome de embaixador
do Brasil na ONU - Marechal Odylio Denys,
filho de uma Sardenberg, Ministro da Guerra
do Brasil; Musy que insistem em grafar Muzi
para o Córrego que cortava e corta
a então sesmaria de Jean Antoine Musy
e seus filhos. Cayre; De Roure Moser; Metraux;
Probst; Pastine; Perroud e outros.
O
atual Rio Sana, que não se tem provas
documentais no momento, é corruptela
sem dúvidas de Saane em alemão
ou Sanam em Latin, ou Sarine em francês
(Rio que corta o Canyon de Fribourg na Suíça
e se lança no rio Arr na Suíça).
Sem contar que os Chevrand e os De Charles
de Zinner que habitavam a Cabeceira do Sana,
são do Oberland Bernois onde nasce
o rio homônimo na Suíça.
De
acordo com as leis de terras de 1850 os
Registros Paroquiais de Terras, da Freguesia
de Nossa Senhora das Neves e Santa Ritta,
livro 42 de 1856, corrobora o acima explicitado
com escrituras e mapas. O Sana e região
tem uma vasta documentação
nos diversos arquivos do Brasil, pois faz
parte da primeira colonização
brasileira de 1819 iniciada no reinado do
Rei Dom João VI, por não portugueses,
por diversos nobres brasileiros e portugueses.
Freqüentavam
a região e o café era o motor
econômico da região basta uma
olhada nos vazios dos pastos, cuja safra
era transportada para Barra de São
João, Macaé ou Porto das Caixas
em Itaboraí, por tropas e pelos rios
Macaé e São João. Mas,
o primeiro e melhor testemunho do Sana conhecido
é de um próspero cafeicultor
chamado de João Augusto Stöcklin
ou Jean Augustin Stöcklin, que vivia
em questões com um de seus compatriotas
assim como ele, rico cafeicultor, Jean Claude
Marchon, sobre a região a respeito
de registro de uma sesmaria de 1500 braças
de testada por 1500 de fundos.
Outrossim,
o Sana dista de Nova Friburgo apenas 60
quilômetros ou cerca de 90 minutos,
e uma olhada carinhosa nos mapas de rodovias
do IBGE, o Sana está mais próximo
de Nova Friburgo que de Macaé, via
serra-mar. Sua pequena população
atual, vivendo ao redor da única
rua que atravessa o casario à beira
do rio e percorrida principalmente por montarias,
luta para que seja preservada sua paz, características
culturais, tranqüilidade e a Natureza,
por isso aposta no ecoturismo organizado
e consciente, de forma que possa produzir
o desenvolvimento da região sem prejudicar
suas características originais. Tanto
quanto as matas, as cristalinas águas
dos rios cativam e atraem o visitante.
Antes
de atravessar a vila do Sana, o rio Peito-de-Pombo
forma cachoeiras, entre elas o Escorrega,
um verdadeiro tobogã natural com
uma piscina e pequena queda d'água
ao lado. Mais acima uma trilha pouco usada
leva à cachoeira Pai, também
conhecida como dos Degraus ou das
Prateleiras.
A
simplicidade do arraial, o verde da floresta,
a pureza das águas e a deliciosa
comida preparada no fogão à
lenha passam por cima de todas as lembranças
da cidade grande, tão próxima
e ao mesmo tempo tão longe. O
Sana transmite uma sensação
de paz e tranqüilidade que raramente
encontramos em outros lugares, nos levando
a deixar de lado o stress para aproveitar
tudo o que o lugar nos tem a oferecer -
sua natureza que esconde belezas exuberantes,
como as cachoeiras de águas cristalinas,
os rios que serpenteiam pelo vale, os morros
verdinhos “enfeitados” pela
Mata Atlântica, o pequeno Arraial
e o lado místico que envolve a região
e seus habitantes. É um local que
vale a pena ser conhecido e contemplado
por aqueles que adoram este contato com
a natureza.
fonte:
José
Carlos F.Barboza-Muzy (enviado por e-mail)