Terra arrasada! Delações da Odebrecht

Imprimir esta página

A divulgação da Lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo e a quebra do sigilo das delações da Odebrecht deixou os brasileiros com a sensação de "terra arrasada”., devido à revelação da promíscua relação entre as grandes empresas e o mundo político.

O Brasil vive uma verdadeira “tragédia grega” onde até mesmo políticos locais figuram como protagonista!

Com as feras expostas e a Baleia azul assolta, os epílogos seguem com uma permanente tensão e a promessa de um final infeliz e trágico. Enquanto isso o futuro da política brasileira vai se desenrolando a reboque dos acontecimentos da “Lava-Jato”, quase que como uma “catarse” política.

Um tempero extra dessa “catarse” será a delação do Cunha e do Palocci. Não vai ficar pedra sobre pedra.

Nesse contexto, embora tenhamos como ponto positivo o posicionamento consciente de parte da sociedade e o funcionamento de instituições sólidas que possibilitaram até agora o combate a corrupção, outra parte da sociedade menos culta e consciente, não no sentido de educação formal, partiu para a demonização da política, pregando até mesmo a volta da ditadura.

Fim dos partidos políticos! Volta do Regime Militar! Tolos! Salvador da pátria! Ledo engano! Não existe saída de uma crise política a não ser por meio da política.

Se não quisermos virarmos uma VENEZUELA é hora dessa parcela ignóbil da sociedade deixar de agir por paixões. Não há soluções fáceis!

As verdades expostas pela lava-jato coapta a parcela menos culta da sociedade a demonizar a política, no sentido de que a política é formada apenas por ladrão.

Essa demonização pode gerar péssimas mudanças e nos levar de volta ao populismo, a líderes carismáticos, salvacionista que não querem reforma ou melhoras nas instituições, pelo contrário querem transformar as instituições numa extensão de sua pessoa, para esconder a corrupção e legitimar os mandos e desmandos.

A saída, seja lá qual ela for, passa pelas mãos de lideranças que sejam capazes de educar a sociedade para as reformas que serão necessárias e que serão graduais e difíceis.

A Visão moralista que defende leis mais duras e cerceamento das liberdades dos funcionários públicos e os políticos é equivocada, basta observar que a lei de licitação que engessa todas as compras não foi capaz de evitar a epidemia de corrupção que tomou conta do Brasil.

Medidas simplórias, rápidas e populistas vão apenas agravar os problemas.

Populistas e Moralistas na verdade são acomodados que querem uma solução rápida e fácil, que preferem que alguém faça o trabalho por eles. Se exaltam, xingam e ofendem os políticos, mas fariam igual ou pior que os corruptos.

Populistas e Moralistas, gostam de líderes carismáticos salvacionista porque eles mantém a sujeira embaixo do tapete, afinal de conta, “o que os olhos não vêem o coração não sente!”

O maior show da terra criado pela humanidade – A DEMOCRACIA - não pode parar. O que precisamos é de mais liberdade, transparência e de resultados - Accountability.

Diante de um velho sistema com velhos políticos, que ainda detém o poder, os cargos e que definem quem será submetido ao sufrágio popular, SURGE ALGUMAS QUESTÕES: quais serão as alternativas eleitorais para 2018? Os novos políticos estão comprometidos com o velho sistema? Será que diante de tudo que vimos seremos capazes de mudar nosso jeito de pensar e agir para 2018? Qual será o destino da baleia azul?

 !   Hélio Márcio Porto


Hélio Márcio Porto é Advogado, especialista em direito criminal e eleitoral, com formação internacional na área de direito e política cursados na Chile, Alemanha, Bélgica e China.

Fonte: www.machadoporto.adv.br
Comentários

Outros artigos publicados:

Reforma política? Lá vem ela de novo! 
O STF, Renan Calheiros e a República de bananas
Que país é esse Sérgio Moro?
As eleições nas redes. Cuidado com o crime!
Lei nº: 12165/2015 - Novas regras nas próximas eleições
Dólar a R$ 5,00 e o impeachment de Dilma
Xadrez Eleitoral Macaense: quem será o próximo Prefeito de Macaé/RJ?
Maioridade Penal - SIM ou Não?
Da crise política à crise institucional e o golpe no Brasil